Entrevista realizada por Lucas Oliveira Costa e Ricardo Zanchetta com Nivaldo da Silva Felix, em 13 de maio de 2025, no ateliê de fotografia do Departamento de Artes Plásticas da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, como parte das atividades da disciplina de graduação História do Ensino da Arte no Brasil: trajetória política e conceitual e questões contemporâneas, ministrada pela Profa. Dra. Sumaya Mattar.
A disciplina trabalha com a Metodologia da História Oral como estratégia de criação de fontes primárias sobre vida, arte e educação em uma perspectiva não hegemônica. Os estudantes realizam entrevistas com pessoas cujas experiências têm interesse em conhecer, buscando registrar e valorizar trajetórias, memórias e saberes que contribuam para ampliar as narrativas sobre a arte, a educação e a própria Universidade.
Técnico do Departamento de Artes Plásticas nas áreas de gravura e fotografia, Nivaldo rememora uma trajetória de mais de quatro décadas na ECA/USP, iniciada em 1983. Seu relato acompanha importantes transformações nos modos de produção e ensino da Escola: dos anos de trabalho na antiga gráfica da ECA, onde atuou em processos de acabamento, gravação de chapas e produção de materiais impressos, à transferência para o CAP, em 1997, quando passou a trabalhar diretamente com práticas de gravura e fotografia e a conviver mais intensamente com estudantes.
Ao narrar como aprendeu por meio do trabalho, da observação, da repetição, dos erros e das trocas com colegas e alunos, Nivaldo evidencia a dimensão educativa do conhecimento técnico. Sua fala ressalta o valor da prática, da persistência e do cuidado com os processos e materiais, especialmente na fotografia analógica, cuja preservação defende como parte importante da memória da Universidade. A entrevista também recupera lembranças da antiga gráfica da ECA e de seu desmonte, refletindo sobre perdas de equipamentos, estruturas e conhecimentos acumulados ao longo de décadas. Entre histórias de trabalho, deslocamentos pela cidade, futebol e amizades construídas na USP, emerge o testemunho de um profissional que reconhece os estudantes como parte de sua própria formação e cuja experiência revela o papel fundamental dos técnicos na vida cotidiana, na transmissão de saberes e na história do ensino de arte na Universidade.
(A adaptação em vídeo do PPT originalmente apresentado pela dupla de entrevistadores foi realizada pela equipe de pesquisa do Projeto Acervo de Múltiplas Vozes para fins de publicação no canal do projeto no Youtube e no Portal GMEPAE.)
Palavras-chave: ECA/USP, memória institucional, técnicos universitários, gravura, fotografia analógica, gráfica, saberes da prática, ensino de arte, História Oral.