Entrevista realizada por Gustavo Leutwiler e Luíza Coelho com Thaynara Floriano, em 1º de junho de 2025, na Vila Matilde, em São Paulo (SP), como parte das atividades da disciplina de graduação História do Ensino da Arte no Brasil: trajetória política e conceitual e questões contemporâneas, ministrada pela Profa. Dra. Sumaya Mattar no Departamento de Artes Plásticas da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.

A disciplina trabalha com a Metodologia da História Oral como estratégia de criação de fontes primárias sobre vida, arte e educação em uma perspectiva não hegemônica. Os estudantes realizam entrevistas com pessoas cujas experiências têm interesse em conhecer, buscando registrar e valorizar trajetórias, memórias e saberes que contribuam para ampliar as narrativas sobre a arte, a educação e a sociedade.

Nascida em São Paulo e criada na região de Taipas, Thaynara narra uma trajetória marcada pela formação universitária, pela militância em movimentos sociais e pela atuação em temas relacionados à população negra, à saúde pública e à participação política. Seu ingresso na USP, inicialmente no curso de Ciências da Natureza da EACH, ampliou referências políticas presentes em sua própria família e a aproximou do Levante Popular da Juventude. Posteriormente, sua atuação se estendeu à Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN) e ao Movimento Brasil Popular.

A entrevista articula experiências pessoais, trabalho militante e produção acadêmica. Thaynara relata sua participação em formação sobre saúde pública em Manaus, que a colocou em contato com questões de saúde quilombola e indígena, e reflete sobre as relações entre universidade, movimentos sociais, raça, território e conhecimento. Ao falar de sua pesquisa de mestrado e de sua presença como mulher negra e periférica na academia, questiona fronteiras entre saber acadêmico e saber produzido na ação coletiva. Sua narrativa é atravessada pela ideia de transformação no presente: para Thaynara, a entrada de sujeitos historicamente afastados dos espaços universitários já modifica a própria academia e constitui parte de um processo contínuo de mudança social, sustentado pela ação coletiva e pelo “esperançar”.

Palavras-chave: História Oral, movimentos sociais, movimento negro, universidade, militância, CONEN, saúde pública, educação, território, ação coletiva.