Entrevista realizada por Jaqueline Ferreira da Costa com Carlos Henrique Aparecido da Costa, em 9 de maio de 2025, na sede do Ali:leste, em Cidade Tiradentes, São Paulo (SP), como parte das atividades da disciplina de graduação História do Ensino da Arte no Brasil: trajetória política e conceitual e questões contemporâneas, ministrada pela Profa. Dra. Sumaya Mattar no Departamento de Artes Plásticas da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.

A disciplina trabalha com a Metodologia da História Oral como estratégia de criação de fontes primárias sobre vida, arte e educação em uma perspectiva não hegemônica. Os estudantes realizam entrevistas com pessoas cujas experiências têm interesse em conhecer, buscando registrar e valorizar trajetórias, memórias e saberes que contribuam para ampliar as narrativas sobre a arte, a educação e a sociedade.

Nascido na Zona Leste de São Paulo e criado, após a separação dos pais, principalmente pela mãe, trabalhadora doméstica e responsável por oito filhos, Carlos relembra uma infância de poucos recursos materiais, mas rica em brincadeiras inventadas e experiências coletivas. Ainda criança, começou a trabalhar na construção civil com o pai e os irmãos e também em feiras livres. Sua trajetória profissional foi construída em diferentes atividades aprendidas sobretudo pela observação, pela prática e pela necessidade, em um processo que ele próprio associa ao autodidatismo e à capacidade de “se virar”.

A serigrafia ocupa lugar central na entrevista. Carlos conta que conheceu a técnica ao trabalhar com um pastor que produzia calendários e materiais serigráficos no quintal de casa. De vendedor, passou a ajudar na produção e, pela repetição, pelos erros e pela experimentação com tintas e procedimentos, aperfeiçoou seu trabalho. A conversa aproxima criação, ofício, sobrevivência e transmissão de saberes, valorizando conhecimentos adquiridos fora dos espaços formais de ensino. Ao refletir sobre sua experiência e sobre as possibilidades oferecidas às novas gerações, Carlos evidencia a persistência, a prática e a circulação de conhecimentos entre pessoas e comunidades como dimensões fundamentais de sua formação.

Palavras-chave: História Oral, serigrafia, autodidatismo, trabalho, Zona Leste, memória, saberes da prática, construção civil, feira livre, educação.