Entrevista realizada por Isabella Camargo de Oliveira Toledo com Irael Luziano Dias, em 26 de maio de 2025, como parte das atividades da disciplina de graduação História do Ensino da Arte no Brasil: trajetória política e conceitual e questões contemporâneas, ministrada pela Profa. Dra. Sumaya Mattar no Departamento de Artes Plásticas da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.
A disciplina trabalha com a Metodologia da História Oral como estratégia de criação de fontes primárias sobre vida, arte e educação em uma perspectiva não hegemônica. Os estudantes realizam entrevistas com pessoas cujas experiências têm interesse em conhecer, buscando registrar e valorizar trajetórias, memórias e saberes que contribuam para ampliar as narrativas sobre a arte, a educação e a sociedade.
Artista, educador e servidor público, Irael Luziano Dias relata sua trajetória no Memorial Sakai, em Embu das Artes, onde atua há cerca de 16 anos e desenvolveu, por aproximadamente uma década, atividades no ateliê de cerâmica. A partir de objetos ligados à memória desse espaço — uma chapa de fogão, antigos livros de consulta e uma escultura produzida por uma frequentadora —, recupera experiências de convivência, diversidade, criação e aprendizagem. Ao refletir sobre sua prática, aproxima o fazer pedagógico da produção artística, compreendendo a mediação como trabalho com relações, afetos e subjetividades. Destaca a importância da escuta e da construção conjunta do olhar, bem como o papel do grupo na mediação de conflitos e no acolhimento de pessoas com diferentes trajetórias e condições de vida.
A entrevista aborda ainda sua relação com Tônia do Embu e com o legado de Tadakiyo Sakai, assim como a importância do Memorial para a memória artística e cultural de Embu das Artes. Irael rememora sua formação marcada pelo desenho, poesia, teatro, performance, escultura, História e Arte e Educação, além de experiências em diferentes espaços de formação e criação. O barro ocupa lugar particular em sua reflexão por sua relação com o corpo, a pele e a matéria. Ao narrar deslocamentos, encontros e mudanças de linguagem ao longo da vida, compreende a formação como processo contínuo de construção e desconstrução e afirma a arte como uma forma de estar no mundo.
Palavras-chave: História Oral, Arte e Educação, Memorial Sakai, cerâmica, ateliê, mediação artística, convivência, memória, Embu das Artes, formação artística, teatro, performance, barro.