Entrevista realizada por Carolina Reis (Cacau) e Gabriel Faria com Carmen da Silva Ferreira, em 31 de maio de 2024, na Cozinha da Ocupação 9 de Julho, em São Paulo, como parte das atividades da disciplina de graduação História do Ensino da Arte no Brasil: trajetória política e conceitual e questões contemporâneas, ministrada pela Profa. Dra. Sumaya Mattar no Departamento de Artes Plásticas da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.

A disciplina trabalha com a Metodologia da História Oral como estratégia de criação de fontes primárias sobre vida, arte e educação em uma perspectiva não hegemônica. Os estudantes realizam entrevistas com pessoas cujas experiências têm interesse em conhecer, buscando registrar e valorizar trajetórias, memórias e saberes que contribuam para ampliar as narrativas sobre a arte, a educação e a sociedade.

Carmen da Silva Ferreira reconstrói uma trajetória marcada por deslocamentos, participação política e luta por direitos. Nascida no Recôncavo Baiano e criada também em Salvador, recorda a infância, a escola, o teatro e as experiências que contribuíram para sua formação política. Na década de 1990, veio para São Paulo e, diante das dificuldades de pertencimento, trabalho e moradia, aproximou-se do movimento de moradia.

A Ocupação 9 de Julho, realizada em 1997, ocupa lugar central em sua narrativa: foi nesse processo que Carmen encontrou condições para reorganizar a vida e trazer os filhos para São Paulo. A entrevista percorre sua atuação em movimentos sociais, projetos, educação, comunicação, soberania alimentar e tecnologia social. A ideia de que “quem ocupa, cuida” sintetiza uma concepção de luta que articula moradia, acolhimento, formação, participação social e construção coletiva de alternativas.

Palavras-chave: História Oral, movimento de moradia, Ocupação 9 de Julho, direito à cidade, movimentos sociais, educação, memória, mulheres, participação política, acolhimento.