Entrevista realizada por Agê de Souza Santos, Emily Arisa Oshiro, Gabriela de Oliveira Silva e Giovanna Florencio Antonio com Emerson Rocha, em 20 de maio de 2024, pela plataforma Google Meet, como parte das atividades da disciplina de graduação História do Ensino da Arte no Brasil: trajetória política e conceitual e questões contemporâneas, ministrada pela Profa. Dra. Sumaya Mattar no Departamento de Artes Plásticas da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.
A disciplina trabalha com a Metodologia da História Oral como estratégia de criação de fontes primárias sobre vida, arte e educação em uma perspectiva não hegemônica. Os estudantes realizam entrevistas com pessoas cujas experiências têm interesse em conhecer, buscando registrar e valorizar trajetórias, memórias e saberes que contribuam para ampliar as narrativas sobre a arte, a educação e a sociedade.
Emerson Rocha, artista visual negro e contemporâneo, natural de São Roque, apresenta uma produção que transita entre diferentes linguagens, como artes visuais, escultura, poesia e escrita. Ao comentar sua trajetória e sua participação em exposições, entre elas projetos do Museu de Arte do Rio, reflete sobre a presença de artistas negros em espaços institucionais e sobre a importância de tratar temas como amor, homoafetividade, esperança, sonhos e experiências cotidianas.
A conversa dedica atenção especial à construção visual de sua obra: a representação de corpos pretos, as referências vindas de desenhos, animes e artistas contemporâneos e, sobretudo, o uso do azul. Emerson descreve a pesquisa que o levou a desenvolver um azul próprio, associado tanto a escolhas pessoais quanto a processos de ressignificação histórica, realeza e potência. Sua produção confronta expectativas que restringem artistas negros a narrativas de sofrimento e afirma outras possibilidades de representação, afeto e existência.
Palavras-chave: História Oral, arte contemporânea, arte negra, pintura, azul, representação, afeto, identidade, artistas negros, memória.