Entrevista realizada por Marina Lee Bernardi com Ingrid Sá Lee, que utiliza o nome artístico Ing Lee, em 16 de maio de 2025, por meio de textos e áudios no WhatsApp, como parte das atividades da disciplina de graduação História do Ensino da Arte no Brasil: trajetória política e conceitual e questões contemporâneas, ministrada pela Profa. Dra. Sumaya Mattar no Departamento de Artes Plásticas da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.
A disciplina trabalha com a Metodologia da História Oral como estratégia de criação de fontes primárias sobre vida, arte e educação em uma perspectiva não hegemônica. Os estudantes realizam entrevistas com pessoas cujas experiências têm interesse em conhecer, buscando registrar e valorizar trajetórias, memórias e saberes que contribuam para ampliar as narrativas sobre a arte, a educação e a sociedade.
Ilustradora profissional desde 2018, Ing Lee relata a construção de sua carreira a partir da participação em feiras gráficas em Belo Horizonte e São Paulo, onde quadrinhos, zines, pôsteres e outras produções impressas ampliaram a circulação de seu trabalho. Durante a pandemia, passou a concentrar sua atuação em trabalhos freelance e, em 2021, realizou sua primeira capa de livro para a Companhia das Letras. Desde então, consolidou-se como capista e ilustradora, trabalhando também com editoras estrangeiras e sendo reconhecida no Prêmio Jovens Talentos da Indústria do Livro, da PublishNews.
Filha de pai coreano imigrante e mãe brasileira, Ing reflete sobre a identidade coreano-brasileira como ponto de partida para pesquisas relacionadas à imigração e à experiência asiático-brasileira, sem reduzi-la a um destino artístico. Surda oralizada e pós-lingual, fala das implicações cotidianas de sua deficiência auditiva e de acessibilidade. A entrevista aborda ainda precarização do trabalho criativo, inteligência artificial, formação profissional, repertório e bloqueio criativo. Ao defender descanso e pesquisa como partes do processo artístico, Ing articula criação, trabalho e responsabilidade coletiva, manifestando o desejo de dedicar mais tempo a quadrinhos autorais e contribuir para um mercado de ilustração mais justo e comunitário.
Palavras-chave: História Oral, ilustração, mercado editorial, identidade coreano-brasileira, surdez, acessibilidade, inteligência artificial, trabalho criativo, quadrinhos, formação artística.