Entrevista realizada por André Albanezi Shalders, com o auxílio de Arminda, cuidadora da entrevistada, com Violeta Gazal Shalders, em 18 de maio de 2025, em sua residência no bairro do Campo Belo, em São Paulo (SP), como parte das atividades da disciplina de graduação História do Ensino da Arte no Brasil: trajetória política e conceitual e questões contemporâneas, ministrada pela Profa. Dra. Sumaya Mattar no Departamento de Artes Plásticas da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.
A disciplina trabalha com a Metodologia da História Oral como estratégia de criação de fontes primárias sobre vida, arte e educação em uma perspectiva não hegemônica. Os estudantes realizam entrevistas com pessoas cujas experiências têm interesse em conhecer, buscando registrar e valorizar trajetórias, memórias e saberes que contribuam para ampliar as narrativas sobre a arte, a educação e a sociedade.
Às vésperas de completar cem anos, Violeta rememora passagens de uma vida iniciada em Haifa, na Palestina, onde nasceu em 1925, e continuada no Brasil após a vinda de sua família, em 1930. Suas lembranças percorrem São João da Bocaina, Bauru, Araraquara e outras cidades do interior paulista, articulando infância, vida familiar, escolarização, casamento, maternidade e costumes preservados no cotidiano, como o preparo de comidas árabes aprendido com a mãe. A conversa, conduzida pelo neto e apoiada pelas intervenções de Arminda, evidencia a própria dinâmica da memória em idade avançada, feita de recordações, esquecimentos, retomadas e afetos.
A música, o bordado e a educação atravessam de modo especial sua narrativa. Violeta recorda que cantava nas festas escolares e na igreja, acompanhada ao piano pela irmã, e conta ter aprendido bordado à mão em Ibitinga. Também relembra experiências como professora em cidades onde havia falta de docentes, descrevendo-se como alguém que se virava e atendia às necessidades que surgiam. Seu testemunho permite refletir sobre educação, trabalho feminino, migração, cultura familiar e transmissão de saberes ao longo de quase um século de transformações sociais.
Palavras-chave: História Oral, memória, Palestina, imigração, família, educação, trabalho feminino, música, bordado, cultura árabe.