Responsáveis: Profª. Drª. Sumaya Mattar, Profª. Drª. Elisabete Marin Ribas e Prof. Dr. Leandro de Oliva Costa Penha

Objetivos

A disciplina busca constituir um espaço interdisciplinar de investigação, escuta e criação, articulando arte, cultura, educação, memória, corpo, território e acervos documentais, de modo a promover processos colaborativos de pesquisa e formação que tomem as experiências, narrativas e vivências do grupo de estudantes como ponto de partida para a produção de conhecimentos.

Dentre os objetivos específicos, destacam-se:

– Refletir sobre as relações entre memória, corpo, arte, educação e processos de subjetivação;

– Discutir abordagens teóricas e metodológicas vinculadas à pesquisa-ação, cartografias, narrativas autobiográficas, história oral e práticas artísticas contemporâneas;

– Problematizar os modos de produção, preservação e disputa da memória, considerando questões de representatividade, silenciamento e direitos culturais;

– Investigar o corpo e o território como espaços de experiência, criação, pertencimento e elaboração de conhecimento;

– Cultivar práticas de escuta, experimentação e produção coletiva de conhecimentos, valorizando repertórios, trajetórias, memórias e experiências do grupo de estudantes;

– Fortalecer projetos de pesquisa em uma perspectiva de investigação e criação contínuas, por meio do diálogo interdisciplinar entre práticas artísticas, experiências educativas e estudos teóricos;

– Incentivar abordagens metodológicas de pesquisa comprometidas com perspectivas criativas, críticas, antirracistas, decoloniais e inclusivas.

Justificativa

A proposta da disciplina insere-se no campo interdisciplinar de estudos desenvolvidos pelo Diversitas – Núcleo de Estudos das Diversidades, Intolerâncias e Conflitos da USP, especialmente no que se refere às reflexões sobre direitos humanos, diversidades epistemológicas, produção de conhecimento situada, memória, representatividade e processos de subjetivação.

Em um contexto contemporâneo marcado pela intensificação de conflitos sociais, disputas de memória, apagamentos históricos e persistentes desigualdades de representação, torna-se fundamental a criação de espaços formativos capazes de articular práticas críticas e criativas de pesquisa, experiências sensíveis e produção coletiva de conhecimento. Nesse sentido, a disciplina propõe aproximar os campos da arte, cultura, educação, corpo, território, memória e acervos documentais, compreendendo-os como dimensões interdependentes dos processos de formação humana e produção de narrativas sobre si e sobre o mundo.

A disciplina fundamenta-se em perspectivas interdisciplinares provenientes da arte/educação, das artes, dos estudos da memória, da história oral, dos direitos humanos e das pedagogias críticas, valorizando metodologias participativas, cartográficas, autobiográficas e narrativas. Busca-se, assim, fortalecer processos de investigação que reconheçam o grupo de estudantes como sujeitos produtores de conhecimento, portadores de repertórios, experiências, trajetórias e potencialidades de desenvolvimento de pesquisas singulares.

Ao privilegiar práticas de escuta, experimentação, criação e construção compartilhada do conhecimento, a disciplina pretende contribuir para o desenvolvimento de pesquisas comprometidas com perspectivas críticas, antirracistas, decoloniais, inclusivas e socialmente implicadas, em consonância com os objetivos do Diversitas e do Programa de Pós-Graduação Humanidades, Direitos e Outras Legitimidades.

Neste horizonte, a disciplina responde à crescente demanda acadêmica por abordagens metodológicas capazes de integrar elaboração teórica, experiência estética, memória social, corporeidade e práticas documentais, promovendo diálogos entre universidade, territórios, práticas culturais e experiências coletivas frequentemente invisibilizadas nos espaços tradicionais de produção do conhecimento.

Conteúdo

A disciplina propõe uma investigação interdisciplinar das relações entre memória, território, corpo, arte, educação e acervos documentais, tomando as experiências, trajetórias e pesquisas do grupo de estudantes como ponto de partida para a construção compartilhada do conhecimento.

Por meio de abordagens autobiográficas, cartográficas, narrativas e sensíveis, serão discutidos processos de formação, subjetivação e produção de conhecimento, articulando práticas artísticas, experiências educativas, políticas de memória e metodologias de pesquisa situadas. Nesse percurso, serão abordadas as relações entre história pessoal e história social, os arquivos pessoais e as autobiografias documentais como dispositivos de construção de narrativas de si, bem como os processos de disputa, representação e produção de memórias.

Para tanto, serão desenvolvidas discussões teórico-metodológicas e práticas investigativas que contemplam os seguintes eixos temáticos:

  1. Entrecruzamentos entre história pessoal e história social;
  2. Arquivos pessoais e autobiografia documental: vestígios e narrativas de si;
  3. Memória, poder e disputas de narrativas;
  4. O arquivo como gesto político;
  5. História oral como ferramenta de democratização das práticas de memória e instrumento de constituição de fontes primárias para a pesquisa;
  6. Território como conceito vivido;
  7. Leitura de mundo e estudo da realidade;
  8. A caminhada como método de investigação;
  9. Relações entre arte, cultura, experiência e educação;
  10. A pesquisa como processo de criação e reflexão.

Link de acesso:
Programa completo da disciplina HDL5056 no Sistema Janus – USP