Professoras: Patrícia Ribeiro de Almeida, Sumaya Mattar e Elisabete Marin Ribas.

Monitoria e apoio técnico: Letícia Cescon da Rosa

O curso “A aula de arte como texto: diálogos com Guimarães Rosa e efeitos da escuta na criação pedagógica” foi oferecido pelo IEB – Insitituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo, a partiu da pesquisa de doutorado de Patrícia Ribeiro de Almeida, em desenvolvimento na ECA/USP.

O curso foi direcionado a professoras e professores da Rede Pública de Ensino de São Paulo e a estudantes dos cursos de Licenciatura da USP.

Ao aproximar literatura, arte e educação, o curso convidou as e os participantes a investigar a escuta atenta e sensível como dimensão constitutiva do trabalho docente. Escutar, nessa perspectiva, não significa apenas ouvir o que estudantes dizem, mas estar disponível às suas necessidades, interesses, experiências, modos de expressão e manifestações artísticas — reconhecendo-os como elementos capazes de intervir na própria criação da aula.

É nesse movimento que a obra de João Guimarães Rosa entra em diálogo com a prática educativa. A partir da leitura de contos do escritor e da aproximação com aspectos de seu processo de criação literária, o curso propôs pensar a aula de arte também como texto em processo: uma composição que se constrói por meio da atenção às vozes, às palavras, aos silêncios, aos encontros e aos acontecimentos que atravessam a experiência educativa.

Ao longo dos encontros, literatura e pedagogia se aproximaram para explorar relações entre escuta e escrita, voz e palavra, leitura e criação, diálogo e autoria. A experiência incluiu ainda uma visita ao arquivo do IEB-USP, com atenção às anotações de viagem de Guimarães Rosa e às formas de registro que participavam de seu processo criativo.

Inspiradas e inspirados pelas lições extraídas dos contos e pelos procedimentos de criação investigados durante o curso, as e os participantes foram convidados a desenvolver uma escrita pedagógica autoral, experimentando a criação de suas próprias “aulas-texto”.

Ao tomar a literatura de Guimarães Rosa como interlocutora da formação docente, o curso propôs experimentar outros modos de conceber a aula de arte: não como roteiro fechado, mas como uma escrita viva, relacional e autoral, produzida por uma professora ou um professor que cria porque também sabe escutar.